Moçambique emergiu como o país com pior desempenho entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Índice de Percepção da Corrupção 2025 (CPI, na sigla em inglês), divulgado esta terça-feira pela organização Transparência Internacional. O resultado devolve ao debate público a urgência de repensar políticas de integridade e combate ao fenómeno no setor público.
Com apenas 21 pontos numa escala que vai de 0 a 100, o país que durante décadas empenhou instituições e recursos no combate à corrupção figura no nível mais baixo entre os PALOP, empatado com a Guiné-Bissau. Esta pontuação contrasta fortemente com a de Cabo Verde, que lidera a região com 62 pontos, e com São Tomé e Príncipe (43) e Angola (32), que ainda que situados em patamares médios, se distanciam de Moçambique neste indicador crucial.
O CPI, agora na sua 31.ª edição, avaliou mais de 180 países e territórios com base na perceção da corrupção no sector público. Uma nota baixa no índice não só traduz a percepção generalizada de práticas corruptas no aparelho estatal, como também é um sinal de alerta para investidores e parceiros internacionais que acompanham de perto o clima de governança no país.
Publicidade
anuncie aqui!Especialistas sublinham que pontuações abaixo dos 50 pontos configuram “problemas graves de corrupção” — um cenário que, segundo o relatório, atinge mais de dois terços dos países analisados. Em Moçambique, esta classificação coloca em xeque não apenas os mecanismos de transparência e fiscalização, mas também a eficácia de instituições que deveriam proteger recursos públicos e assegurar a confiança da sociedade no espaço político.
O presidente da Transparência Internacional, François Valérian, observou que muitos governos no mundo já não consideram a luta contra a corrupção como prioridade, contribuindo para a erosão das posições no índice a nível global. Esta tendência, segundo Valérian, é reflexo tanto de falhas estruturais quanto do enfraquecimento de sistemas de responsabilidade política e administrativa.
Dados da análise global também revelam que mesmo democracias consolidadas enfrentam retrocessos na perceção de integridade. Países como os Estados Unidos da América, Reino Unido, Canadá e Suécia registraram quedas significativas nas suas pontuações, um sinal da fragilidade que atinge sistemas que tradicionalmente justificaram reputações de boa governança.
No contexto africano, a média regional de pontuação permanece baixa, refletindo desafios persistentes no reforço de instituições anticorrupção, mecanismos de fiscalização e proteção do espaço cívico. Segundo a Transparência Internacional, a ausência de reformas profundas alia-se muitas vezes à restrição de liberdades fundamentais, dificultando o combate efetivo à corrupção e minando a confiança pública.
A queda de Moçambique no CPI 2025 reabre um conjunto de questões incontornáveis: que medidas concretas serão adotadas para inverter esta tendência? Como será possível fortalecer mecanismos de integridade e responsabilização no setor público? Mais do que um número baixo no ranking, a pontuação atribui ao país um desafio de longo prazo — reestruturar instituições e devolver à população a confiança de que recursos públicos são geridos com equidade e transparência.





