Desde a “guerra dos doze dias” em junho de 2025, que colocou Israel e Estados Unidos contra o programa nuclear iraniano, nada voltou a ser como antes no país. O poder político permanece intacto apenas na aparência, mas a população percebe que o regime perdeu sua legitimidade. O aumento constante do custo de vida, a desvalorização da moeda e a escassez de produtos essenciais transformaram o cotidiano em um quadro de tensão e frustração crescente.
Em janeiro de 2026, uma onda de greves e manifestações tomou conta das ruas de Teerã e outras grandes cidades. No dia 8 de janeiro, por volta das 20h, as ruas estavam vazias, mas rapidamente multidões se formaram, entoando slogans contra o regime e em apoio ao xá, recordando um passado monárquico há muito reprimido. A reação do regime foi imediata: linhas de internet e telefone cortadas, ataques com gás lacrimogêneo, canhões de som e, em seguida, snipers e forças de segurança disparando contra civis.
O relato descreve cenas de destruição generalizada: ministérios incendiados, bancos saqueados, praças públicas arrasadas, ruas marcadas pelo sangue. Tudo foi apagado com precisão pelo regime, como se o massacre tivesse sido planejado e ensaiado com antecedência, mas não há como eliminar a memória das vítimas. Enterros secretos e improvisados, taxas absurdas para liberação de corpos e cerimônias desafiadoras com música e dança marcaram a resistência cultural e emocional da população.
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anuncie aqui!O clima de medo e desconfiança se intensificou. Pessoas observam umas às outras, sabem quem colaborou com o regime e aguardam o momento oportuno para justiça. A raiva se tornou coletiva, transformando a frustração em uma força silenciosa, mas explosiva, que ameaça a coesão do regime. Os nomes e rostos dos responsáveis pela repressão circulam nas redes sociais, alimentando um sentimento de vingança e de ruptura social sem precedentes.
Economicamente, a situação é igualmente desesperadora. O preço de itens essenciais disparou, e o desemprego se tornou generalizado. As famílias lutam para sobreviver, enquanto os jovens percebem que toda uma geração vive em suspenso, esperando o colapso do regime ou a intervenção externa. Entre sussurros nos cafés e troca de vídeos nas redes sociais, a pergunta mais repetida é: “Quando Trump vai atacar?”. Não por desejo de guerra, mas por desespero diante da ausência de alternativas.
Este testemunho deixa claro que a República Islâmica se autodestruiu. A população não espera heróis nem promessas grandiosas: quer apenas liberdade, direitos básicos e uma vida sem medo, corrupção ou mentiras. O momento exige paciência, mas também reforça que a pressão interna é cada vez mais insuportável e que o futuro, embora incerto, está sendo moldado pela resistência silenciosa do povo iraniano.





