Na segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, membros do Congresso dos Estados Unidos tiveram acesso a documentos não caviardados do dossiê de Jeffrey Epstein, após a divulgação parcial de mais de três milhões de páginas pelo Departamento de Justiça, em 30 de janeiro. A publicação tinha sido apresentada como cumprimento da lei de transparência aprovada em novembro de 2025, que obrigava o governo a esclarecer integralmente as conexões políticas, financeiras e sociais de Epstein, cuja rede criminosa abalou a credibilidade de figuras públicas no mundo inteiro.
Entre os parlamentares que consultaram os arquivos estavam os coautores da lei de transparência, o republicano Thomas Massie (Kentucky) e o democrata Ro Khanna (Califórnia). Ambos criticaram o caviardamento de pelo menos seis nomes, que segundo Massie inclui um indivíduo de alto escalão em governo estrangeiro, enquanto Khanna se referiu a uma “personalidade bastante eminente” entre os outros cinco. A lei permite caviardagens restritas apenas para proteger a intimidade das vítimas, mas proíbe expressamente a retenção de informações por motivos de sensibilidade política ou diplomática.
Publicidade
anuncie aqui!Massie e Khanna destacaram que grande parte dos documentos fornecidos ao Departamento de Justiça pelo FBI e pelos grandes jurados já estava caviardada, o que limita o acesso à informação completa. “Precisamos dar ao Departamento de Justiça uma chance de revisar e corrigir seus erros”, afirmou Massie. Khanna acrescentou que a revisão é essencial para garantir que a aplicação da lei vá além da aparência de transparência e se traduza em acesso efetivo às informações relevantes.
Embora a menção de um nome no dossiê não implique automaticamente envolvimento em crimes, as repercussões políticas e sociais são imediatas. Figuras públicas temem consequências sobre suas relações passadas com Epstein, o que evidencia como casos de alta sensibilidade exigem equilíbrio entre transparência, proteção das vítimas e responsabilidade política.
Em análise mais profunda, o episódio revela que a luta pela divulgação total dos arquivos de Epstein enfrenta barreiras estruturais e institucionais. Mesmo após a lei de novembro de 2025, interesses políticos, diplomáticos e judiciais continuam a limitar o acesso às informações, levantando dúvidas sobre a eficácia de mecanismos legais destinados a responsabilizar figuras poderosas.
A situação dos seis nomes ocultos funciona como um termômetro da tensão entre a promessa de transparência e a realidade da proteção de elites. A divulgação parcial evidencia que a política e o sigilo institucional podem se sobrepor à justiça, mesmo em casos de interesse público extraordinário.





