Cerca de quatro em cada dez casos de câncer no mundo estão associados a fatores evitáveis, segundo um relatório recente divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (CIRC). Tabagismo, consumo de álcool, obesidade, sedentarismo, exposição ao sol e poluição atmosférica figuram entre os principais determinantes identificados. A análise, comentada pelo médico emergencista Gérald Kierzek, diretor médico do Doctissimo, reforça que intervenções preventivas podem modificar de forma concreta o risco individual.
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anuncie aqui!A investigação, publicada na revista Nature, examinou 36 tipos de câncer em 185 países, oferecendo uma das avaliações globais mais amplas já realizadas sobre o impacto de comportamentos cotidianos na incidência da doença. Os dados indicam que 44% das mortes por câncer podem ser atribuídas a causas evitáveis ou controláveis, o que corresponde, em termos absolutos, a mais de 7 milhões de casos potencialmente preveníveis por ano, considerando os cerca de 19 milhões de novos diagnósticos anuais registrados no mundo.
Os pesquisadores identificaram aproximadamente trinta fatores evitáveis associados ao desenvolvimento de tumores, entre eles o consumo de tabaco, a ingestão de álcool, o excesso de peso, a inatividade física, a poluição do ar, a radiação ultravioleta e a exposição ocupacional a substâncias cancerígenas, como o amianto. Para o médico André Ilbawi, responsável pela equipe de combate ao câncer da OMS, a análise permite orientar políticas públicas e decisões individuais com maior precisão. Segundo ele, a compreensão das tendências entre países e grupos populacionais oferece instrumentos concretos para prevenir a doença antes mesmo de seu surgimento.
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anuncie aqui!O peso dos comportamentos individuais é particularmente expressivo. De acordo com Kierzek, o tabaco permanece como o principal fator isolado, responsável por cerca de 15% dos casos de câncer, seguido por infecções, consumo de álcool, excesso de peso, poluição atmosférica, exposição aos raios ultravioleta e sedentarismo. Embora cada fator atue de maneira distinta, a soma desses elementos cria um terreno favorável ao desenvolvimento da doença.
A prevenção, no entanto, não depende de transformações radicais, mas de mudanças graduais e cumulativas. Uma alimentação rica em produtos de origem vegetal surge como um dos pilares centrais da proteção, especialmente na redução do risco de cânceres do pulmão, do estômago e do colo do útero. O consumo regular de frutas, legumes e alimentos ricos em fibras, aliado à limitação de carnes vermelhas e processadas e à redução do álcool, constitui um conjunto de medidas com impacto comprovado.
A atividade física representa outro eixo decisivo. Movimentar-se regularmente contribui para o controle do peso corporal, reduz processos inflamatórios e melhora o metabolismo, fatores diretamente ligados ao risco oncológico. A interrupção do tabagismo, a proteção contra asolar intensa, a qualidade do sono e o controle do estresse integram o mesmo campo de prevenção comportamental.
O ambiente doméstico também desempenha um papel relevante. A exposição ao radônio, gás incolor e inodoro associado ao câncer de pulmão, assim como a poluição do ar em ambientes fechados, pode ser reduzida com ventilação adequada e monitoramento regular. Paralelamente, a participação em programas de rastreamento recomendados para câncer de mama, cólon e colo do útero permanece essencial para o diagnóstico precoce.
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anuncie aqui!Segundo Kierzek, a combinação desses hábitos pode resultar em uma redução global do risco de câncer entre 30% e 40%, dependendo do nível de exposição individual. O especialista ressalta que a prevenção eficaz passa também por acompanhamento médico regular, capaz de estabelecer estratégias personalizadas de proteção.
A principal conclusão do relatório internacional é clara: longe de ser apenas uma fatalidade biológica, o câncer está profundamente ligado às condições de vida contemporâneas. Nesse cenário, a prevenção deixa de ser uma recomendação abstrata e assume o estatuto de ferramenta concreta de saúde pública.




