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Internacional/América do Sul: Cuba enfrenta escassez de combustível após ameaças tarifárias de Washington

A crise de querosene paralisa aeroportos, expõe a vulnerabilidade econômica da ilha e aprofunda o confronto político entre Havana e os Estados Unidos.

O governo cubano informou que companhias aéreas internacionais já não podem reabastecer no país devido a uma grave escassez de combustível, agravada após o presidente norte-americano Donald Trump ameaçar impor tarifas a qualquer país que forneça petróleo à ilha. Segundo duas fontes citadas pela agência EFE, a liderança cubana comunicou no domingo que o país ficará sem combustível de aviação a partir de segunda-feira, situação que deve provocar perturbações significativas nas operações aéreas.

A falta de querosene deverá prolongar-se por pelo menos um mês, afetando todos os aeroportos internacionais de Cuba. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores cubano e a embaixada em Londres não responderam aos pedidos de esclarecimento.

A deterioração energética ocorre no contexto de uma escalada política entre Havana e Washington. Em decreto executivo assinado no fim de janeiro, Trump classificou o governo cubano como “uma ameaça incomum e extraordinária”, justificando a declaração de emergência nacional. O presidente norte-americano argumentou que os vínculos de Cuba com China, Rússia e Irã, somados a violações de direitos humanos e à liderança comunista, estariam desestabilizando a região “por meio da migração e da violência”.

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Como parte dessa estratégia, Washington anunciou que tarifas poderão atingir países que forneçam petróleo a Cuba, direta ou indiretamente, ampliando o cerco econômico. A medida se soma a uma política de pressão reforçada desde 3 de janeiro, quando os Estados Unidos realizaram uma operação militar para depor o presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado histórico de Havana.

Diante de uma crise energética em rápida intensificação, o governo cubano apresentou um plano de emergência para preservar serviços essenciais e racionar combustíveis. As medidas incluem restrições na venda de combustível, fechamento de alguns estabelecimentos turísticos, redução da jornada escolar e a diminuição da semana de trabalho nas empresas estatais para quatro dias, de segunda a quinta-feira.

Aliada política de Havana, a Rússia descreveu a situação energética cubana como “verdadeiramente crítica”. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou mantém contato constante com autoridades cubanas e atribuiu as dificuldades ao endurecimento das sanções norte-americanas. Segundo ele, o “estrangulamento promovido pelos Estados Unidos” está provocando sérios obstáculos ao país.

A crise ocorre num momento de fragilidade econômica mais ampla. O turismo, um dos pilares financeiros da ilha, registrou em 2025 um recuo de 17,8% no número de visitantes, encerrando o ano com 1,8 milhão de turistas, muito abaixo da meta oficial de 2,6 milhões. Autoridades estatísticas classificaram o período como “terrível” para o setor.

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O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla condenou as ameaças tarifárias de Washington “nos termos mais enérgicos possíveis”, acusando os Estados Unidos de recorrer a “chantagem e coerção” para forçar outros países a aderirem ao embargo econômico contra Cuba.

Em meio ao agravamento do cenário, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum anunciou que seu governo pretende enviar ajuda humanitária à ilha e buscar uma solução diplomática que permita retomar o fornecimento de petróleo. O México havia suspendido remessas de petróleo bruto e derivados a Cuba sob pressão da administração Trump.

Entre escassez energética, isolamento diplomático e retração econômica, Cuba enfrenta um momento decisivo, no qual a disputa geopolítica se traduz diretamente nas condições materiais da vida cotidiana.

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