Bruxelas, 6 de fevereiro de 2026 – A influência da Europa atravessa uma fase de intenso escrutínio em África e no mundo, marcada por desafios políticos, econômicos e estratégicos que exigem revisão de antigos paradigmas. Historicamente ancorada em relações pós-coloniais, especialmente via França em África Ocidental e Central, a presença europeia enfrenta hoje questionamentos sobre sua relevância e eficácia, enquanto novos atores globais oferecem alternativas mais flexíveis e pragmáticas.
No Sahel, países como Mali, Burkina Faso e Níger criticam a França por sua intervenção militar prolongada e pouco eficaz, questionando a dependência de apoio externo e buscando alianças alternativas que respeitem sua soberania. A devolução da última base francesa no Chade simboliza essa tendência de revisão da presença militar europeia, enquanto governos locais exploram acordos estratégicos com países do Golfo e com a China, em busca de segurança e desenvolvimento.
Na África Ocidental, a França perde terreno em Costa do Marfim, Senegal e Benim, onde projetos financiados por Paris são percebidos como limitados socialmente e pouco adaptados às prioridades locais. Em Angola e Moçambique, críticos apontam que programas europeus priorizam elites, enquanto investimentos chineses, turcos ou do Golfo aparecem como alternativas menos condicionadas politicamente, com execução mais rápida e pragmática.
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anuncie aqui!A presença europeia é igualmente questionada em outros continentes. No Oriente Médio, países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos firmam acordos de investimento diretos, oferecendo infraestrutura moderna sem impor condições políticas complexas. Na Ásia, a China expande sua influência via Belt and Road Initiative, construindo portos, ferrovias e parques industriais em países como Paquistão, Malásia e Vietnã, competindo diretamente com programas europeus e diminuindo sua atratividade histórica.
Na América Latina, a Europa enfrenta competição de Estados Unidos e China em investimentos estratégicos. No Brasil, projetos de transporte e energia disputam espaço com iniciativas chinesas percebidas como mais rápidas e eficazes. Na Bolívia e no Peru, críticas sobre imposições ambientais e burocráticas revelam a dificuldade europeia em se adaptar às necessidades locais, minando sua capacidade de liderar de maneira persuasiva.
Economicamente, a União Europeia mantém importância significativa, mas sua participação relativa diminui diante de concorrentes globais. Setores como tecnologia, manufatura e infraestrutura tornaram-se arenas de intensa competição, onde potências emergentes frequentemente oferecem financiamentos menos condicionados e respostas mais imediatas, desafiando a vantagem histórica da Europa.
Apesar desses desafios, iniciativas estratégicas como o Global Gateway buscam reposicionar a Europa como parceira de desenvolvimento sustentável, priorizando infraestrutura, energia verde e inovação tecnológica. Analistas defendem que a eficácia desses programas depende da capacidade europeia de respeitar prioridades locais, construir parcerias mutuamente benéficas e superar antigos modelos de dependência.
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anuncie aqui!A situação africana evidencia também uma questão geracional e social. Em países onde a idade média da população é inferior a 20 anos, a concentração prolongada de poder entre líderes históricos, aliados ou apoiados por potências europeias, é criticada por frear a inovação política, reduzir a inclusão cidadã e gerar desconfiança. Enquanto a Europa mantém influência diplomática e econômica, ela precisa agora reinventar sua presença em um continente jovem e em rápida transformação, que olha simultaneamente para antigos aliados e para novos parceiros globais.
O novo panorama internacional evidencia que a influência europeia não desapareceu, mas está em redefinição, exigindo adaptação, sensibilidade cultural e estratégia, em um mundo multipolar onde África e outros continentes traçam caminhos mais autônomos e pragmáticos. A capacidade europeia de permanecer relevante dependerá de sua habilidade em equilibrar tradição e inovação, respeitar soberanias e integrar-se a uma rede global diversificada, em que cooperação e competitividade coexistem.





