A empresa de Hong Kong CK Hutchison anunciou o início de procedimentos de arbitragem internacional contra o Panamá, depois que a Suprema Corte do país anulou seu contrato para operar dois portos no estratégico Canal do Panamá, em meio a pressões indiretas dos Estados Unidos.
O Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau (HKMAO), órgão do governo chinês, qualificou a decisão panamenha como “absurda, vergonhosa e patética”, afirmando que o tribunal “ignora fatos, quebra a confiança e prejudica gravemente os direitos legítimos das empresas de Hong Kong”. O escritório alertou que a China possui força e meios suficientes para defender uma ordem econômica justa e internacional, enfatizando que o Panamá pagará “preços pesados, políticos e econômicos” caso mantenha a decisão.
A anulação do contrato ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado assumir o controle do canal, alegando que a via estava sob controle chinês e representava uma ameaça à segurança norte-americana. Sem citar diretamente os Estados Unidos, a China denunciou que “algum país usou táticas de intimidação para forçar outros a obedecer sua vontade” e que o Panamá havia “cedido voluntariamente” à pressão hegemônica.
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anuncie aqui!O presidente do Comitê Seletivo da Câmara dos EUA sobre a China, John Moolenaar, comemorou a decisão como uma “vitória para a América”. Por sua vez, o governo panamenho ainda não se pronunciou sobre o alerta de Pequim.
Em comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong, a CK Hutchison declarou que “discorda fortemente da determinação e das ações correspondentes no Panamá”, reservando-se todos os direitos legais, incluindo o recurso a instâncias nacionais e internacionais.
A Autoridade Marítima do Panamá (AMP) informou que a empresa dinamarquesa Maersk assumirá temporariamente a operação dos dois portos antes geridos pela subsidiária da CK Hutchison.
O Canal do Panamá, responsável por cerca de 40% do tráfego de contêineres dos EUA e 5% do comércio mundial, teve sua construção financiada pelos Estados Unidos, que o operaram por um século antes de transferir o controle ao Panamá em 1999. A decisão judicial ameaça também a venda proposta de 43 portos em 23 países, avaliada em 23 bilhões de dólares, liderada pelo consórcio BlackRock e Mediterranean Shipping Company.
Este episódio evidencia a competição geopolítica crescente entre China e Estados Unidos pelo controle de infraestruturas estratégicas e rotas comerciais globais, destacando o Canal do Panamá como peça central nesta disputa de influência econômica.





