O presidente da Nigéria, Bola Tinubu, ordenou o desdobramento do exército na região centro-oeste do país após um ataque que deixou pelo menos 162 mortos na vila de Woro, Estado de Kwara, ocorrido na terça-feira, 4 de fevereiro. O chefe de Estado acusou os jihadistas do Boko Haram de serem responsáveis pelo massacre, considerado uma ação “lânguida e bestial”, segundo comunicado da presidência.
Segundo Babaomo Ayodeji, secretário da filial de Kwara da Cruz Vermelha Nigeriana, homens armados atacaram a comunidade, e as buscas por corpos continuam. Trata-se de um dos piores massacres recentes no país, que já enfrenta múltiplas formas de violência e insegurança.
O governador de Kwara, AbdulRahman AbdulRazaq, destacou em vídeo oficial que 75 pessoas morreram e que Woro resistiu a “uma forma provocativa de doutrina islâmica” imposta pelos atacantes. Tinubu elogiou a comunidade local por não ceder à violência e reafirmou que a paz e o diálogo devem prevalecer sobre a coerção: “É louvável que os membros da comunidade, embora muçulmanos, tenham rejeitado essa crença que promove violência em vez de paz”, afirmou.
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anuncie aqui!Em declarações à AFP, Sa’idu Baba Ahmed, membro da assembleia local, informou que os criminosos incendiaram estabelecimentos comerciais e o palácio real da vila, e que o paradeiro do rei ainda é desconhecido. A polícia confirmou a ocorrência, sem divulgar o balanço completo.
O Estado de Kwara enfrenta insegurança multifatorial, incluindo bandos armados locais que saqueiam, sequestram e aterrorizam os habitantes, e o crescimento de ameaças jihadistas vindas do noroeste do país. O Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), afiliado à Al-Qaeda, reivindicou em outubro sua primeira ação no Estado, próximo de Woro.
Em resposta à escalada da violência, autoridades locais implementaram toques de recolher e fecharam escolas por várias semanas, reabrindo-as apenas recentemente. O governador AbdulRahman classificou o massacre como uma “expressão lânguida da frustração das células terroristas” após campanhas conduzidas pelas forças de segurança.
Nos últimos dias, o exército nigeriano anunciou ter neutralizado cerca de 150 terroristas nas florestas de Kwara, embora não tenha detalhado se os indivíduos foram mortos ou capturados. Além disso, um ataque recente no Estado de Katsina, no norte, deixou 23 civis mortos, supostamente como retaliação a operações militares anteriores.
A Nigéria, país mais populoso da África e maior produtor de petróleo, enfrenta desde 2009 a insurreição jihadista no nordeste, liderada pelo Boko Haram e pelo Estado Islâmico na África Ocidental. No noroeste e centro-norte, grupos armados criminosos, bem como movimentos jihadistas locais como Lakurawa e Mahmuda, intensificaram suas atividades. Pesquisadores identificaram conexões entre Lakurawa e o Estado Islâmico no Sahel (EISS), ativo no Níger vizinho. Apesar de Woro não ser território tradicional do Boko Haram, o ataque evidencia a crescente ameaça da violência jihadista e criminal no centro do país.





