A filial do grupo de Hong Kong CK Hutchison, responsável pela exploração de dois portos estratégicos do Canal do Panamá, anunciou a abertura de um processo de arbitragem contra a República do Panamá, após a Suprema Corte do país centro-americano ter anulado sua concessão em 29 de janeiro. A decisão judicial provocou reações imediatas em Pequim, que prometeu proteger os direitos e interesses legítimos de suas empresas no exterior.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a Panama Ports Company (PPC) denunciou uma “campanha do Estado panamenho direcionada especificamente” contra a empresa, afirmando que sofreu danos significativos devido a uma série de “ações abruptas” por parte das autoridades locais. A companhia solicita indenizações substanciais, fundamentadas em avaliações financeiras detalhadas, e não descarta recorrer a outras soluções legais caso necessário, sem, entretanto, especificar valores.
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anuncie aqui!O conflito surge no contexto de uma disputa maior entre China e Estados Unidos pelo controle de rotas comerciais estratégicas. O Canal do Panamá, crucial para o comércio global, tem sido alvo de tensões geopolíticas, com Washington buscando limitar a influência chinesa na via. O ex-presidente americano Donald Trump chegou a ameaçar, em diversas ocasiões, retomar sob controle norte-americano as operações dos portos.
Para a Suprema Corte panamenha, a concessão concedida à PPC era inconstitucional, favorecendo de maneira “desproporcional” a empresa e prejudicando os cofres públicos, sem justificativa legal adequada. A decisão prevê que a administração dos portos seja temporariamente assumida pelo gigante dinamarquês de transporte marítimo Maersk, até a definição de um novo processo licitatório.
A situação evidencia como investimentos estratégicos em infraestruturas críticas podem se tornar pontos de confronto entre potências globais, colocando o Panamá no centro de uma disputa delicada entre Pequim e Washington. Especialistas destacam que a arbitragem iniciada pela CK Hutchison não apenas envolve questões legais e financeiras, mas também reflete o peso geopolítico de cada decisão envolvendo o Canal, um corredor vital para o comércio internacional.
À medida que se desenrola o litígio, a comunidade internacional acompanha atentamente as negociações, conscientes de que o desfecho terá impactos diretos no fluxo marítimo e na balança geopolítica da região, tornando a disputa muito mais ampla do que um simples conflito empresarial.





