A 68.ª edição dos Grammy Awards, realizada na noite de 2 de fevereiro de 2026, em Los Angeles, ficará assinalada como uma das mais relevantes dos últimos anos. Num contexto internacional marcado por tensões sociais e debates políticos nos Estados Unidos da América, a cerimónia destacou-se tanto pelas conquistas artísticas históricas como pelas mensagens sociais e simbólicas transmitidas ao longo da noite.
O grande destaque da gala foi o músico norte-americano Kendrick Lamar, que alcançou um feito inédito ao tornar-se o artista de hip-hop mais premiado da história dos Grammy. O rapper conquistou seis prémios numa única edição, elevando para 27 o total de estatuetas ao longo da sua carreira, ultrapassando os recordes anteriormente detidos por Jay-Z e Kanye West.
O álbum GNX, lançado em 2025, esteve no centro da consagração. A obra valeu a Kendrick Lamar o prémio de Melhor Álbum de Rap, distinção que recebe pela quarta vez, e esteve igualmente nomeada para Álbum do Ano. Durante a cerimónia preliminar, o artista venceu ainda Melhor Performance de Rap, Melhor Performance de Rap Melódico, bem como Melhor Canção de Rap, antes de regressar ao palco principal para receber o prémio de Gravação do Ano, com a música Luther, em colaboração com SZA.
No seu discurso, Kendrick Lamar adotou um tom contido e simbólico, sublinhando que o hip-hop continua a ser uma expressão viva da cultura e da identidade coletiva. Sem declarações políticas diretas, a sua obra e presença reafirmaram uma crítica estrutural às desigualdades sociais, raciais e económicas, temas recorrentes na sua trajetória artística.
Para além das consagrações individuais, a edição de 2026 ficou marcada por estreias históricas. O Dalai Lama venceu o seu primeiro Grammy na categoria de narração de audiolivro, enquanto o grupo sul-coreano Golden se tornou o primeiro grupo de K-pop a conquistar um Grammy por canção escrita para media visual, refletindo a crescente diversidade da indústria musical global.
A cerimónia distinguiu ainda vários artistas com as suas primeiras vitórias, entre os quais Yungblud, Turnstile, FKA twigs e Lefty Gunplay, sinal de uma renovação geracional reconhecida pela Recording Academy. O evento contou igualmente com atuações de Bruno Mars, Rosé e Sabrina Carpenter, bem como homenagens conduzidas por Ms. Lauryn Hill a figuras históricas da música, como D’Angelo e Roberta Flack.
Num ambiente socialmente sensível, os Grammy Awards serviram também de palco para mensagens de consciência cívica e crítica social. Alguns artistas aproveitaram o momento para questionar políticas do Governo norte-americano, sobretudo em matérias relacionadas com imigração e direitos civis. O músico Shaboozey dedicou o seu prémio aos pais imigrantes, enquanto vários participantes exibiram distintivos com a inscrição “ICE Out”, em protesto contra as práticas das autoridades migratórias dos EUA.
Apresentada por Trevor Noah, pela última vez, a cerimónia decorreu na Crypto.com Arena e assumiu um tom mais solene e reflexivo do que em edições anteriores, confirmando a música como espaço de expressão cultural, memória social e posicionamento público.
No final da noite, os Grammy Awards 2026 confirmaram-se não apenas como uma celebração artística, mas como um espelho dos desafios, das transformações e das vozes que moldam o mundo contemporâneo.





