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Moçambique/Economia: Investimentos internacionais em Moçambique, fundos abundam, resultados escassos?

O Banco Mundial anuncia bilhões de dólares em promessas, mas a população questiona: onde estão os resultados?

O Banco Mundial anunciou recentemente a mobilização de 2,5 mil milhões de dólares para Moçambique, num novo Quadro de Parceria (CPF) que se estenderá até 2031. O objetivo declarado é ambicioso: criar empregos, impulsionar o crescimento económico, transformar os recursos naturais em oportunidades concretas e reforçar a resiliência da população jovem, sobretudo mulheres e jovens. Entre os setores prioritários estão a energia, o agro-negócio e o turismo, apontados como áreas com elevado potencial de desenvolvimento e geração de empregos.

O diretor da Divisão do Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, afirmou que o plano prevê uma combinação de instrumentos de financiamento, incluindo garantias, apoio ao setor privado e serviços de consultoria, com projetos emblemáticos como a Mission 300, voltada para eletrificação, e a AgriConnect, ligada ao setor agrícola. O Governo moçambicano, por sua vez, anunciou também um fundo adicional de 450 milhões de dólares, destinado à resiliência, crescimento inclusivo e criação de oportunidades de emprego, disponibilizado através da Janela para Prevenção e Resiliência.

No entanto, apesar dos números impressionantes e das intenções declaradas, muitos observadores questionam a real execução destes fundos internacionais. Em países como Gana, Nigéria e Angola, promessas similares de bilhões de dólares acabaram por se traduzir em impactos limitados, com atrasos significativos na implementação, burocracia excessiva e, em alguns casos, denúncias de corrupção ou mau uso dos recursos. Em Gana, por exemplo, projetos financiados pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional em 2021 foram alvo de críticas por não terem gerado os empregos prometidos nem melhorado de forma concreta a infraestrutura local. Na Nigéria, programas de desenvolvimento agrícola apoiados por instituições internacionais foram repetidamente adiados ou mal implementados, deixando pequenos agricultores sem acesso a crédito ou assistência técnica.

Em Moçambique, apesar da abundância de fundos internacionais e das iniciativas anunciadas, a população continua a enfrentar desafios económicos e sociais profundos. As chuvas e inundações recentes evidenciam a vulnerabilidade do país e questionam a eficácia dos fundos destinados à prevenção de desastres e resiliência. Especialistas locais alertam que, sem um sistema de monitorização rigoroso, há o risco de que grande parte do financiamento permaneça em projetos que nunca saem do papel ou que beneficiem apenas um pequeno grupo de atores intermediários, sem chegar às comunidades mais necessitadas.

O debate sobre a transparência e a fiscalização dos fundos internacionais é, portanto, inevitável. Em muitos casos, os relatórios divulgados pelas próprias instituições financeiras destacam investimentos milionários, mas fornecem poucas evidências concretas sobre os resultados alcançados no terreno. Moçambique corre o risco de repetir padrões observados em outros países africanos, onde grandes somas foram anunciadas com grande alarde, mas a população pouco sentiu em termos de melhoria real das condições de vida ou criação de oportunidades económicas sustentáveis.

Apesar das intenções declaradas pelo Banco Mundial, fica a pergunta: quanto deste dinheiro será realmente canalizado para projetos que transformem efetivamente a vida das pessoas? Ou será mais uma promessa internacional, repetida à exaustão em países africanos, com fundos que abundam mas cujos resultados permanecem escassos? Enquanto as instituições internacionais continuam a anunciar bilhões em investimentos, os cidadãos esperam provas concretas, resultados visíveis e mecanismos claros de responsabilidade e fiscalização.

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