O chefe do exército ugandês, Muhoozi Kainerugaba, filho do presidente reeleito Yoweri Museveni, celebrou na sexta-feira, 23 de janeiro, a morte de dezenas de membros do partido da oposição NUP (Plataforma da Unidade Nacional, liderada por Bobi Wine) e a prisão de milhares de apoiantes do líder opositor.
“Até agora, matámos 30 terroristas da NUP”, afirmou Muhoozi Kainerugaba nas primeiras horas de sexta-feira na rede social X. “Prendemos mais de 2.000 delinquentes que Kabobi [apelido dado a Bobi Wine] pensava utilizar”, acrescentou.
O presidente Yoweri Museveni, de 81 anos e antigo guerrilheiro, venceu a sétima eleição consecutiva, segundo a comissão eleitoral, num processo amplamente criticado por observadores e ONG internacionais. Entre as denúncias estão bloqueio da Internet por vários dias e represálias contra membros da oposição.
O principal adversário, Bobi Wine (nome verdadeiro Robert Kyagulanyi Ssentamu), de 43 anos, antigo cantor de raggamuffin, fugiu após um ataque das forças de segurança à sua residência, denunciando resultados “fraudulentos”.
Na quinta-feira, a União Europeia expressou preocupação, condenando violência e ameaças pré e pós-eleitorais, particularmente contra Bobi Wine.
A polícia ugandesa anunciou a prisão de Muwanga Kivumbi, deputado da NUP, após ter relatado à AFP que dez dos seus apoiantes foram mortos pela força militar em Butambala durante a noite eleitoral. A prisão, segundo as autoridades, está ligada aos incidentes recentes de violência política na região.
Mais de 600 cidadãos foram detidos por manifestarem contra a vitória de Museveni, segundo advogado da oposição Erias Lukwago. “Alguns foram presos nas suas casas e levados a tribunal por acusações das quais não tinham conhecimento”, declarou à AFP.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou seguir “com preocupação” a situação pós-eleitoral na Uganda, destacando detenções, prisão de opositores e incidentes violentos envolvendo personalidades da oposição e seus apoiantes.
Muhoozi Kainerugaba, conhecido pelas suas declarações incendiárias nas redes sociais, não esconde a sua ambição de suceder o pai. Durante a campanha, chegou a afirmar publicamente desejar a morte de Bobi Wine, intensificando o clima de tensão política.





