A violência das pandillas voltou a abalar a Guatemala. Reclusos da mara Barrio 18 tomaram o controlo de três prisões, sequestrando cerca de 50 reféns, enquanto os seus comparsas em liberdade perpetravam ataques que resultaram na morte de dez polícias e vários feridos durante o último fim de semana.
Após retomar o controlo dos centros prisionais, o Presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, declarou estado de sítio por 30 dias, visando restaurar a ordem.
As primeiras investigações indicam que a ofensiva foi dirigida por Aldo Dupie Ochoa, alias El Lobo, líder da Barrio 18, depois de as autoridades terem recusado conceder privilégios penitenciários e atender exigências políticas do grupo.
A pandilla Barrio 18 foi formada na década de 1960 em Los Angeles, Estados Unidos, por jovens de ascendência mexicana, num contexto de pobreza, criminalidade e exclusão social. Adoptaram o nome 18th Street Gang e rapidamente se distinguiram pela sua violência e organização territorial.
A chegada de migrantes centro-americanos – salvadorenhos, guatemaltecos e hondurenhos – reforçou a base social e territorial do grupo, expandindo a sua influência dentro da Califórnia. Nos anos 90, deportações massivas enviaram jovens ligados a pandillas de volta para Guatemala, El Salvador e Honduras, consolidando a presença da Barrio 18 em áreas urbanas.
Em Guatemala, a Zona 18, a área mais populosa e marginal da capital, tornou-se o principal bastião da Mara, replicando a identidade construída em Los Angeles e fortalecendo o grupo como a pandilla mais numerosa e temida do país, com cerca de 22.000 membros, em contraste com os 10.000 da MS-13.
Barrio 18 dedica-se sobretudo ao assassinato por encomenda, extorsão e tráfico de drogas, atividades que explicam o elevado índice de homicídios no país. Em 2025, registaram-se 3.022 homicídios, dos quais 85% com recurso a armas de fogo, colocando Guatemala no topo da violência na América Central.
O sistema de clicas organiza hierarquicamente os membros: ranfleros, palabreros, soldados, banderas e iniciados. Cada integrante jura lealdade absoluta ao grupo, tatuando o número 18 e usando sinais próprios, como o XB3 ou sinais com os dedos.
O ex-membro Edwin Cordón, hoje pastor cristão, descreve a iniciação: “Três membros deram-nos uma ‘pateada’ durante 18 segundos… Era o baptismo da lealdade ao número 18.” Dentro do grupo, a violência e a disciplina são fundamentais, e quem desobedece enfrenta prisão ou morte violenta.
O líder máximo Aldo Dupie Ochoa, alias El Lobo, dirigiu o motim desde a prisão de máxima segurança, onde cumpre 1.670 anos de pena por assassinato, roubo agravado e sequestro.
Apesar do isolamento, os líderes presos continuam a operar, usando telefones e routers introduzidos por corrupção no sistema penitenciário. Estima-se que entre 80% e 90% das chamadas de extorsão sejam feitas desde prisão. O motim recente e os ataques a polícias foram ordenados diretamente da cela de El Lobo, evidenciando que as prisões funcionam como centro de comando das pandillas.
O criminólogo Eddy Morales afirma: “Em Guatemala, a máxima segurança existe apenas no nome; na realidade, não existe”. Este facto demonstra a fragilidade institucional e a persistência do poder das pandillas
O motim da Barrio 18 evidencia a persistência do crime organizado, a ineficiência do sistema prisional e a capacidade das pandillas de operar desde prisão. A combinação de violência, extorsão e controlo territorial mantém Guatemala numa situação crítica, onde o estado de direito enfrenta desafios constantes diante da pandilla mais poderosa do país.
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