{"id":51091,"date":"2020-11-03T07:29:39","date_gmt":"2020-11-03T07:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.moz.life\/?p=43645"},"modified":"2020-11-03T07:29:39","modified_gmt":"2020-11-03T07:29:39","slug":"accao-social-marginalizada-e-com-muitas-pessoas-por-assistir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/accao-social-marginalizada-e-com-muitas-pessoas-por-assistir\/","title":{"rendered":"Ac\u00e7\u00e3o Social: \u201cmarginalizada\u201d e com muitas pessoas por assistir"},"content":{"rendered":"\n<p>Mo\u00e7ambique est\u00e1 longe de atingir o objectivo da Estrat\u00e9gia Nacional de Seguran\u00e7a Social B\u00e1sica, que recomenda a aloca\u00e7\u00e3o de 2.23% do Produto Interno Bruto (PIB) \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Social at\u00e9 2024. Ano passado, por exemplo, o or\u00e7amento do sector da Ac\u00e7\u00e3o Social absorveu 2% de todo o Or\u00e7amento do Estado e de 0.7% do PIB previsto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em plena capital do pa\u00eds, v\u00e1rios cidad\u00e3os vagueiam de um lado para o outro sem destino. Para comer, alguns chegam a vasculhar os contentores de lixo. Quando a noite chega, eles improvisam um pequeno quarto a c\u00e9u aberto, vezes sem conta com papel\u00e3o: esses s\u00e3o os moradores de rua, um dos grupos mais vulner\u00e1veis em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 os moradores de rua que representam a vulnerabilidade de certas camadas na chamada P\u00e9rola do \u00cdndico: os idosos, as crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s e as pessoas com defici\u00eancia, cujos familiares n\u00e3o t\u00eam fonte de renda, engrossam a lista desses grupos que precisam da ajuda da Ac\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas ruas estreitas do bairro Chamanculo, um dos mais pobres na cidade de Maputo, encontr\u00e1mos Raquel Harare. As suas rugas no rosto reflectem os 76 anos de idade que ela carrega \u00e0s costas e a cabe\u00e7a cabisbaixa revela a incerteza em rela\u00e7\u00e3o a o que comer no dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 boa a nossa forma de viver. Uma vida de pobreza para mim, meus filhos e netos. \u00c9 boa. Se essa for a sua forma de viver, n\u00e3o pode pensar que os outros tamb\u00e9m vivem assim e que devem vir a si. Vivo na minha casa, junto da minha pobreza\u201d, contou, Raquel Harare, idosa em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.moz.life\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Kmarin-2020_Guy-1-1024x137.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42777\"\/><figcaption><a href=\"https:\/\/www.kmarin.eu\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PUBLICIDADE<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o tem muita for\u00e7a pata nada porque a idade j\u00e1 n\u00e3o a permite, Mas para que a pobreza n\u00e3o afunde mais a sua fam\u00edlia, Raquel Harare opta em catar garrafas pl\u00e1sticas para revender \u00e0s f\u00e1bricas que se dedicam \u00e0 reciclagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando apanhamos pl\u00e1sticos levo para casa. Se alguns desses pl\u00e1sticos estiverem sujos, a minha filha ajuda-me a lavar e penduramos para secar. Depois disso, separamos os que est\u00e3o molhados, colocamos em sacos e ap\u00f3s encher dois ou tr\u00eas sacos ligamos para o pessoal da f\u00e1brica para colocar na balan\u00e7a e deixa-me com o dinheiro que compro arroz para os meus\u201d dependentes, explicou a idosa residente no bairro Chamanculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos tempos idos, a vida sorrira para Raquel Harare. Ela trabalhava como dom\u00e9stica na ent\u00e3o Louren\u00e7o Marques e com os 100 escudos que ganhava mensalmente conseguiu erguer a sua casa, mas pouco ou quase nada fez para preparar a sua reforma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDo jeito que trabalh\u00e1vamos, onde receb\u00edamos 100 (dizia 100 escudos), n\u00e3o havia como ter reforma. Talvez o dinheiro de hoje \u00e9 que tem mais utilidade. O dos anos 76\/77 era insignificante para reforma\u201d, considerou a idosa.<br>Sem reforma, Raquel recorre \u00e0 ajuda dos seus filhos para alimentar oito pessoas que consigo vivem, mas nem sempre \u00e9 poss\u00edvel. Tentou recorrer \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Social, mas foi infeliz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA minha filha quando tem alguma coisa d\u00e1\u201d e se os outros \u201cn\u00e3o o fazem \u00e9 porque tamb\u00e9m t\u00eam fam\u00edlias e suas casas\u201d por cuidar, revelou a anci\u00e3, acrescentando que do Executivo ainda n\u00e3o recebeu qualquer que seja o subs\u00eddio. Ali\u00e1s, das vezes que ela tentou, foi submetida a uma burocracia sem fim e \u201cacabei lavando as m\u00e3os\u201d. A idosa narrou que n\u00e3o suporta ouvir o mesmo coro: \u201cvolta no dia seguinte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Celma Massingue \u00e9 a filha mais nova desta idosa de 76 anos. Aos 18 anos de idade, ela j\u00e1 \u00e9 m\u00e3e solteira de um menino de um ano e sete meses. A jovem \u00e9 testemunha das batalhas di\u00e1rias que a sua progenitora trava. \u201cPor mim, ele estaria de repouso \u00e0 espera que n\u00f3s, os filhos, ajud\u00e1ssemos, mas n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es para tal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.moz.life\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Kmarin-2020_Ladies-2-1024x137.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42337\"\/><figcaption><a href=\"https:\/\/www.kmarin.eu\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PUBLICIDADE<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sem condi\u00e7\u00f5es para ajudar a sua m\u00e3e Celma esperava por alguma interven\u00e7\u00e3o da Ac\u00e7\u00e3o Social. Por\u00e9m, tudo s\u00f3 terminou nos pap\u00e9is. \u201cUma vez, vieram algumas pessoas em casa. Entrevistaram a minha m\u00e3e, lavaram dados e prometeram que iam nos ajudar, mas de l\u00e1 at\u00e9 c\u00e1 ainda n\u00e3o vi nada, muito menos algum subs\u00eddio\u201d, disse num tom de quem perdeu confian\u00e7a de um dia receber algum tipo de ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio do bairro Chamanculo \u201cB\u201d, onde vive Raquel Harare, conhece a situa\u00e7\u00e3o idosa e considera que n\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAquela pessoa est\u00e1 vulner\u00e1vel, mas quem contribui para que esta pessoa esteja vulner\u00e1vel \u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia, porque n\u00e3o faz sentido algu\u00e9m que nasceu tantos filhos que trabalham, t\u00eam rendimento e depois a abandonam. Ent\u00e3o, o primeiro contribuinte para a vulnerabilidade daquela pessoa s\u00e3o os pr\u00f3prios familiares\u201d, explicou Jo\u00e3o Mbanguene, secret\u00e1rio daquele bairro, prometendo ajuda \u00e0 idosa por considerar que ela n\u00e3o \u00e9 culpada pela situa\u00e7\u00e3o a que est\u00e1 sujeita.<\/p>\n\n\n\n<p>E essa ajuda \u00e9, na maioria das vezes, prestada pelo bra\u00e7o empresarial bem como os volunt\u00e1rios porque o or\u00e7amento alocado para assist\u00eancia \u00e0s pessoas vulner\u00e1veis \u00e9 insuficiente para cobrir todas as camadas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o porque h\u00e1 falta de vontade. Acho eu que \u00e9, mesmo, falta de fundos suficientes para toda a gente, mas, gradualmente, tem entrado alguns grupos. Temos, agora, pessoas que preencheram as fichas como candidatas e um dia v\u00e3o entrar no sistema\u201d, garantiu Jo\u00e3o Mbanguene.<\/p>\n\n\n\n<p>O choro desta menina de 16 anos de idade \u00e9 de desespero de quem perdeu a mobilidade j\u00e1 h\u00e1 pouco mais de dois anos. \u201cN\u00e3o consigo andar, visitar minhas amigas nem fazer trabalhos de casa porque eu lavava loi\u00e7a, ia para escola sozinha. Mas agora, quando tento levantar caio\u201d descreveu Marta C\u00e9sar, com uma voz tr\u00e9mula e l\u00e1grimas \u00e0 espreita.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a mobilidade comprometida, Marta C\u00e9sar depende da ajuda dos outros para ir \u00e0 escola e o que ela mais quer neste momento \u00e9 voltar a ganhar a liberdade de poder andar com os seus pr\u00f3prios p\u00e9s. Cadeira de rodas est\u00e1 fora das hip\u00f3teses.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.moz.life\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Kmarin-2020_Guy-1-1024x137.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42777\"\/><figcaption><a href=\"https:\/\/www.kmarin.eu\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PUBLICIDADE<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cEu gostaria de voltar a andar, ir \u00e0 escola, voltar para casa sem ajuda de ningu\u00e9m. A cadeira de rodas seria \u00faltima alternativa\u201d, expressou-se, a adolescente de 16 anos e de seguida p\u00f4s-se a chorar por desespero.<br>A outra alternativa que era v\u00e1lida para Martinha, como carinhosamente \u00e9 chamada, ir \u00e0 escola era o pai, mas sem explica\u00e7\u00e3o clara tamb\u00e9m perdeu a mobilidade. \u201cNo dia anterior, dormi bem, mas ao amanhecer j\u00e1 tinha dificuldade de me levantar da cama. Assim come\u00e7ou a doen\u00e7a, com uma fraqueza nas pernas\u201d, narrou C\u00e9sar Mahumane, pai da Marta.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma doen\u00e7a que afectou um homem que pouco recebe da reforma, a conta pr\u00f3pria atrav\u00e9s da carpintaria n\u00e3o lhe vale muito a avaliar pelos pre\u00e7os da medica\u00e7\u00e3o para si e sua filha. \u201cFiquei limitado, de verdade, em finan\u00e7as porque j\u00e1 era preciso alugar um carro para irmos ao hospital, mas nunca consegui e assim fiquei desmoronando por ver minha filha a sofrer\u201d, exp\u00f4s Mahumane, com tom de resignado.<\/p>\n\n\n\n<p>A carpintaria, alfaiataria e o dinheiro da reforma s\u00e3o os que mantinham essa casa em p\u00e9, mas com a doen\u00e7a que atinge o chefe de fam\u00edlia, as contas complicaram. Os dois mil da reforma s\u00f3 servem para compra de medicamentos e a Ac\u00e7\u00e3o Social, no distrito de Boane, conhece o caso, mas nada fez.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a in\u00e9rcia da Ac\u00e7\u00e3o Social este jovem de 18 anos n\u00e3o ficou de bra\u00e7os cruzados e entre um vaiv\u00e9m das pernas, ele faz a costura de roupas que \u00e9, agora, o garante do sustento de uma casa de seis membros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 clientes nesses tempos. Por dia, \u00e9 normal ter 20 meticais para o sustento de casa e para pagar hospital e alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o consigo cobrir todas as despesas\u201d, lamentou Jos\u00e9 C\u00e9sar, filho mais velho de Mahumane.<br>A chefe de quarteir\u00e3o diz conhecer a situa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Mahumane e assegura que a Ac\u00e7\u00e3o Social do distrito de Boane est\u00e1 a prestar o devido apoio, mas a m\u00e3e da pequena Marta desmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu levei o caso ao t\u00e9cnico Semedo, era, exatamente, para ele faz\u00ea-lo chegar \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Social e at\u00e9 h\u00e1 ultima semana de Setembro, ele continuava a ajudar\u201d, afirmou Rosa Chirindza, chefe do quarteir\u00e3o 16, bairro seis, em Boane, uma posi\u00e7\u00e3o contrariada por Maria Homwana, m\u00e3e da Marta: \u201cFui \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Social quando ainda era um problema de vista e fizeram-me dar muitas voltas e acabei desistindo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Informe Or\u00e7amental: Ac\u00e7\u00e3o Social Mo\u00e7ambique, 2019, no Or\u00e7amento do Estado do ano passado, foram alocados ao sector de Ac\u00e7\u00e3o Social 6.9 mil milh\u00f5es de Meticais, o que representa 2% de todo o Or\u00e7amento do Estado e de 0.7% do Produto Interno Bruto previsto, um aumento quando comparado com 2018 que assist\u00eancia a pessoas vulner\u00e1veis custou aos Estado 4.6 mil milh\u00f5es de meticais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em 2019, os programas do Instituto Nacional de Ac\u00e7\u00e3o Social visaram 609.405 agregados familiares benefici\u00e1rios. Isto representa um aumento de sete por cento em rela\u00e7\u00e3o aos 567.290 agregados familiares benefici\u00e1rios abrangidos em 2018. Para este ano, o Instituto Nacional de Ac\u00e7\u00e3o Social est\u00e1 a assistir mais de 592 mil benefici\u00e1rios num or\u00e7amento de pouco mais de cinco mil milh\u00f5es de meticais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.moz.life\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Kmarin-2020_Guy-1-1024x137.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42777\"\/><figcaption><a href=\"https:\/\/www.kmarin.eu\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PUBLICIDADE<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Programa de Subs\u00eddio Social B\u00e1sico prev\u00ea atribui\u00e7\u00e3o de 540 meticais para agregados com um membro, 640 com dois, 740 se o n\u00famero de agregados chegar a tr\u00eas, 840 se forem quatro pessoas numa fam\u00edlia e 1.000 meticais para os que a fam\u00edlias compostas por cinco membros.<\/p>\n\n\n\n<p>O Subs\u00eddio Social B\u00e1sico \u00e9 atribu\u00eddo a pessoas sem capacidade para o trabalho que sejam idosas e sem fonte de renda, com doen\u00e7as cr\u00f3nicas degenerativas diagnosticadas pelas autoridades de sa\u00fade, deficientes que chefiam agregados familiares desempregados e seus dependentes tamb\u00e9m n\u00e3o trabalham, fam\u00edlias chefiadas por crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. A informa\u00e7\u00e3o sobre esses grupos vulner\u00e1veis chegam ao Instituto Nacional da Ac\u00e7\u00e3o Social atrav\u00e9s das autoridades locais.<\/p>\n\n\n\n<p>A esses subs\u00eddios, adiciona-se o da COVID-19 que foi alvo de estudo do Centro de Integridade P\u00fablica que constatou haver uma incapacita\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos envolvidos na sua distribui\u00e7\u00e3o, facto que cria um espa\u00e7o para o desvio de fundos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s observamos muitas queixas, relatos de pessoas em qualquer que seja o subs\u00eddio desde o social b\u00e1sico, PASP ou em outros apoios sociais. H\u00e1 sempre reclama\u00e7\u00f5es de que pessoas que deviam receber n\u00e3o recebem aquilo que \u00e9 de direito\u201d, concluiu Leila Constantino, pesquisadora do Centro de Integridade P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que, para os pesquisadores do Centro de Integridade P\u00fablica, pode contribuir para a deficiente assist\u00eancia \u00e0s camadas vulner\u00e1veis \u00e9 o facto de a Ac\u00e7\u00e3o Social ser vista como o elo mais fraco quando o assunto \u00e9 distribui\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs recursos, quando chegam, h\u00e1 um jogo de poder e acaba sendo a Ac\u00e7\u00e3o Social que n\u00e3o tem uma capacidade de estar naquele jogo de poder de acesso aos recursos. Ent\u00e3o, o que acontece \u00e9 que, o dinheiro que \u00e9 canalizado para este sector s\u00e3o os restos porque ela (a Ac\u00e7\u00e3o Social) n\u00e3o tem poder suficiente para poder aceder aos recursos do Or\u00e7amento do Estado\u201d, acrescentou Celeste Banze do Centro de Integridade P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Como que reconhecendo a precaridade do or\u00e7amento deste sector, o Minist\u00e9rio da Economia e Finan\u00e7as anunciou um refor\u00e7o de 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares para o INAS, visando aumentar em 186% o n\u00famero de benefici\u00e1rios do subs\u00eddio social b\u00e1sico, no quadro dos apoios \u00e0s camadas sociais mais vulner\u00e1veis face ao impacto social da COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Este incremento vai permitir que o n\u00famero de benefici\u00e1rios do subs\u00eddio suba de 592.179 para 1.695.004.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos moradores de rua, o Instituto Nacional da Ac\u00e7\u00e3o Social diz que faz interven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de unidades sociais, num programa de combate \u00e0 mendicidade, mas devido \u00e0 COVID-19, estes \u00f3rg\u00e3os est\u00e3o encerrados. Ou seja, essa camada social n\u00e3o est\u00e1 a receber ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: O Pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mo\u00e7ambique est\u00e1 longe de atingir o objectivo da Estrat\u00e9gia Nacional de Seguran\u00e7a Social B\u00e1sica, que recomenda a aloca\u00e7\u00e3o de 2.23% do Produto Interno Bruto (PIB) \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Social at\u00e9 2024. Ano passado, por exemplo, o or\u00e7amento do sector da Ac\u00e7\u00e3o Social absorveu 2% de todo o Or\u00e7amento do Estado e de 0.7% do PIB previsto. Em plena capital do pa\u00eds, v\u00e1rios cidad\u00e3os vagueiam de um lado para o outro sem destino. Para comer, alguns chegam a vasculhar os contentores de lixo. Quando a noite chega, eles improvisam um pequeno quarto a c\u00e9u aberto, vezes sem conta com papel\u00e3o: esses s\u00e3o os moradores de rua, um dos grupos mais vulner\u00e1veis em Mo\u00e7ambique. Mas n\u00e3o s\u00f3 os moradores de rua que representam a vulnerabilidade de certas camadas na chamada P\u00e9rola do \u00cdndico: os idosos, as crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s e as pessoas com defici\u00eancia, cujos familiares n\u00e3o t\u00eam fonte de renda, engrossam a lista desses grupos que precisam da ajuda da Ac\u00e7\u00e3o Social. Nas ruas estreitas do bairro Chamanculo, um dos mais pobres na cidade de Maputo, encontr\u00e1mos Raquel Harare. As suas rugas no rosto reflectem os 76 anos de idade que ela carrega \u00e0s costas e a cabe\u00e7a cabisbaixa revela a incerteza em rela\u00e7\u00e3o a o que comer no dia seguinte. \u201c\u00c9 boa a nossa forma de viver. Uma vida de pobreza para mim, meus filhos e netos. \u00c9 boa. Se essa for a sua forma de viver, n\u00e3o pode pensar que os outros tamb\u00e9m vivem assim e que devem vir a si. Vivo na minha casa, junto da minha pobreza\u201d, contou, Raquel Harare, idosa em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Ela n\u00e3o tem muita for\u00e7a pata nada porque a idade j\u00e1 n\u00e3o a permite, Mas para que a pobreza n\u00e3o afunde mais a sua fam\u00edlia, Raquel Harare opta em catar garrafas pl\u00e1sticas para revender \u00e0s f\u00e1bricas que se dedicam \u00e0 reciclagem. \u201cQuando apanhamos pl\u00e1sticos levo para casa. Se alguns desses pl\u00e1sticos estiverem sujos, a minha filha ajuda-me a lavar e penduramos para secar. Depois disso, separamos os que est\u00e3o molhados, colocamos em sacos e ap\u00f3s encher dois ou tr\u00eas sacos ligamos para o pessoal da f\u00e1brica para colocar na balan\u00e7a e deixa-me com o dinheiro que compro arroz para os meus\u201d dependentes, explicou a idosa residente no bairro Chamanculo. Nos tempos idos, a vida sorrira para Raquel Harare. Ela trabalhava como dom\u00e9stica na ent\u00e3o Louren\u00e7o Marques e com os 100 escudos que ganhava mensalmente conseguiu erguer a sua casa, mas pouco ou quase nada fez para preparar a sua reforma. \u201cDo jeito que trabalh\u00e1vamos, onde receb\u00edamos 100 (dizia 100 escudos), n\u00e3o havia como ter reforma. Talvez o dinheiro de hoje \u00e9 que tem mais utilidade. O dos anos 76\/77 era insignificante para reforma\u201d, considerou a idosa.Sem reforma, Raquel recorre \u00e0 ajuda dos seus filhos para alimentar oito pessoas que consigo vivem, mas nem sempre \u00e9 poss\u00edvel. Tentou recorrer \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Social, mas foi infeliz. \u201cA minha filha quando tem alguma coisa d\u00e1\u201d e se os outros \u201cn\u00e3o o fazem \u00e9 porque tamb\u00e9m t\u00eam fam\u00edlias e suas casas\u201d por cuidar, revelou a anci\u00e3, acrescentando que do Executivo ainda n\u00e3o recebeu qualquer que seja o subs\u00eddio. Ali\u00e1s, das vezes que ela tentou, foi submetida a uma burocracia sem fim e \u201cacabei lavando as m\u00e3os\u201d. A idosa narrou que n\u00e3o suporta ouvir o mesmo coro: \u201cvolta no dia seguinte\u201d. Celma Massingue \u00e9 a filha mais nova desta idosa de 76 anos. Aos 18 anos de idade, ela j\u00e1 \u00e9 m\u00e3e solteira de um menino de um ano e sete meses. A jovem \u00e9 testemunha das batalhas di\u00e1rias que a sua progenitora trava. \u201cPor mim, ele estaria de repouso \u00e0 espera que n\u00f3s, os filhos, ajud\u00e1ssemos, mas n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es para tal\u201d. Sem condi\u00e7\u00f5es para ajudar a sua m\u00e3e Celma esperava por alguma interven\u00e7\u00e3o da Ac\u00e7\u00e3o Social. Por\u00e9m, tudo s\u00f3 terminou nos pap\u00e9is. \u201cUma vez, vieram algumas pessoas em casa. Entrevistaram a minha m\u00e3e, lavaram dados e prometeram que iam nos ajudar, mas de l\u00e1 at\u00e9 c\u00e1 ainda n\u00e3o vi nada, muito menos algum subs\u00eddio\u201d, disse num tom de quem perdeu confian\u00e7a de um dia receber algum tipo de ajuda. O secret\u00e1rio do bairro Chamanculo \u201cB\u201d, onde vive Raquel Harare, conhece a situa\u00e7\u00e3o idosa e considera que n\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1ria. \u201cAquela pessoa est\u00e1 vulner\u00e1vel, mas quem contribui para que esta pessoa esteja vulner\u00e1vel \u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia, porque n\u00e3o faz sentido algu\u00e9m que nasceu tantos filhos que trabalham, t\u00eam rendimento e depois a abandonam. Ent\u00e3o, o primeiro contribuinte para a vulnerabilidade daquela pessoa s\u00e3o os pr\u00f3prios familiares\u201d, explicou Jo\u00e3o Mbanguene, secret\u00e1rio daquele bairro, prometendo ajuda \u00e0 idosa por considerar que ela n\u00e3o \u00e9 culpada pela situa\u00e7\u00e3o a que est\u00e1 sujeita. E essa ajuda \u00e9, na maioria das vezes, prestada pelo bra\u00e7o empresarial bem como os volunt\u00e1rios porque o or\u00e7amento alocado para assist\u00eancia \u00e0s pessoas vulner\u00e1veis \u00e9 insuficiente para cobrir todas as camadas sociais. \u201cN\u00e3o porque h\u00e1 falta de vontade. Acho eu que \u00e9, mesmo, falta de fundos suficientes para toda a gente, mas, gradualmente, tem entrado alguns grupos. Temos, agora, pessoas que preencheram as fichas como candidatas e um dia v\u00e3o entrar no sistema\u201d, garantiu Jo\u00e3o Mbanguene. O choro desta menina de 16 anos de idade \u00e9 de desespero de quem perdeu a mobilidade j\u00e1 h\u00e1 pouco mais de dois anos. \u201cN\u00e3o consigo andar, visitar minhas amigas nem fazer trabalhos de casa porque eu lavava loi\u00e7a, ia para escola sozinha. Mas agora, quando tento levantar caio\u201d descreveu Marta C\u00e9sar, com uma voz tr\u00e9mula e l\u00e1grimas \u00e0 espreita. Com a mobilidade comprometida, Marta C\u00e9sar depende da ajuda dos outros para ir \u00e0 escola e o que ela mais quer neste momento \u00e9 voltar a ganhar a liberdade de poder andar com os seus pr\u00f3prios p\u00e9s. Cadeira de rodas est\u00e1 fora das hip\u00f3teses. \u201cEu gostaria de voltar a andar, ir \u00e0 escola, voltar para casa sem ajuda de ningu\u00e9m. A cadeira de rodas seria \u00faltima alternativa\u201d, expressou-se, a adolescente de 16 anos e de seguida p\u00f4s-se a chorar por desespero.A outra alternativa que era v\u00e1lida para Martinha, como carinhosamente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":43647,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1548,1562,1570],"tags":[],"class_list":["post-51091","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-local-news-home","category-national-news-home","category-news-home"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51091\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/moz.life\/mozbox\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}